Entrevista com Lúcio Figueiredo, na revista "Parceiros" da

“…Como em qualquer lugar do mundo em Viseu o que é Bayer é Bom…”


Quem é o Lúcio Figueiredo?

Sou um homem que nasceu e cresceu no meio rural, no seio de uma família de lavradores, numa aldeia próxima da cidade de Viseu onde estudei e fiz o ensino secundário.

Após ter cumprido o serviço militar obrigatório na Força Aérea comecei por trabalhar em organizações cooperativas cujo movimento me influenciou bastante e, como jovem, acreditei na doutrina filosófica do cooperativismo como movimento económico e social alternativo ao capitalismo e ao socialismo.

A minha experiência nesta actividade transformaram-se, para mim, numa grande escola que influenciou profundamente a minha vida e me transportou, involuntariamente, para a actividade comercial para a qual nunca me senti particularmente vocacionado. Sou casado e tenho dois filhos; o André licenciado em Engenharia de Sistemas e Informática e o Ricardo que está a terminar a licenciatura em Gestão de Empresas o qual gostaria que fosse o meu continuador na Visagricola dado o âmbito familiar da nossa Empresa. Gosto da terra… do campo, de fazer jardinagem, gosto de viajar e conhecer outros povos e culturas e, sempre que tenho disponibilidade, gosto muito de ler.

Em termos comerciais e na área dos produtos fitofarmacêuticos, realizam mais vendas ao balcão ou directamente junto da lavoura?

Entre os diferentes grupos de produtos que comercializamos os fitofarmacêuticos são de importância estratégica para a política comercial da nossa empresa e a sua venda contínua a ser por ordem de grandeza a revenda, a lavoura e os balcões. Todavia, após a análise das nossas estatísticas, constatamos que estamos a subir na lavoura e balcão em prejuízo da revenda que nos últimos anos se tem revelado menos interessantes sobre o ponto de vista da rendibilidade que desejamos para suportar os custos inerentes à gestão da nossa organização.
O Sector da distribuição de produtos FitoFarmacêuticos em Portugal

Como tem decorrido a campanha de comercialização de produtos para a protecção das culturas em 2005, com todos os condicionantes que advém de estarmos numa situação climatérica de “seca persistente”?



Com certeza que na região Dão-Lafões a falta de pluviosidade condicionou fortemente os tratamentos fitossanitários das culturas. Logo no início da campanha e devido à falta de humidade as infestantes não tiveram o ambiente favorável ao seu desenvolvimento e as aplicações de Basta, Zarpa e Roundup foram diminutas e, obviamente, condicionaram os nossos objectivos comuns. A seca persistente não foi propicia à utilização dos fungicidas e, em consequência, verificámos uma considerável diminuição do número de tratamentos e as áreas de plantação ou sementeira de culturas de regadio, nomeadamente de batata e milho, foram provavelmente inferiores aos anos anteriores.
A distribuição de produtos fitofarmacêuticos em Portugal é inquestionavelmente um sector muito concorrencial. Quais acha serem os principais problemas com que se confronta o sector?

A resposta à vossa pergunta poderia ser muito longa e, talvez, digna de um “Fórum” onde não haveria participantes isentos porque todos somos culpados e as conclusões seriam, provavelmente, a necessidade imperiosa de uma “nova ordem” para o sector da distribuição de agro-químicos.
Como resposta à vossa pergunta vou referir-me em primeiro lugar a uma coisa que vou designar como “ditadura dos números” onde os parceiros estão mergulhados e da qual resulta uma pressão enorme que é exercida na vertical, de cima para baixo, e cuja intensidade é superior ao desejável equilíbrio das nossas forças. Daqui resulta uma “super abundante oferta de produto” que se derrama em todas as direcções e, numa actividade lógica de defesa, todos pretendemos que o produtos excedente siga a qualquer preço na direcção do quintal do vizinho.

Em segundo lugar poderei mencionar a débil condição da empresa agrícola que cada vez mais se preocupa na redução dos custos das suas explorações procurando soluções mais económicas que nem sempre garantem a qualidade das soluções adoptadas. A abundante oferta de produto tem originado a degradação das margens da distribuição que está disposta a tudo fazer para não perder encomenda e cedendo à pressão que é cedida pelas companhias junto dos parceiros de negócio.
As exigências legais respeitantes à comercialização, armazenagem , prescrição e recolha das embalagens vazias dos produtos fitofarmacêuticos irão se acentuar nos próximos anos ao nível da distribuição? Quais as consequências destas exigências para o sector?

Verificamos que o sector de comercialização dos produtos fitofármacos carece de regulamentação e cada vez mais existe uma necessidade de estabelecer normas legais obrigatórias que disciplinem esta actividade económica. Quando às consequências dessas possíveis exigências pensamos que os intervenientes neste negócio na área de distribuição e comercialização terão de se adaptar às novas exigências e, consequentemente, esta nova legislação poderá introduzir no mercado alguma disciplina que será desejável e poderá traduzir-se em vantagens para todas as entidades envolventes neste negócio.
A protecção integrada tem vindo a assumir uma importância crescente como modelo de protecção das culturas, quer ao nível do perfil dos produtos utilizados, quer na importância crescente do papel dos técnicos das Associações de Protecção Integrada. De que forma a distribuição acompanha esta tendência?

Na qualidade de distribuidores entendemos que as Associações de Protecção Integrada têm desenvolvido um trabalho sério que se reveste da máxima importância para a actividade agrícola e constatamos que estas equipas são cada vez mais influentes e respeitadas pelos agricultores que, de um modo geral, seguem as suas recomendações. Verificamos que os agricultores têm mais conhecimentos técnicos e estão mais disponíveis para aceitar as novas soluções para o combate às pragas que poderão condicionar o resultado das suas explorações agrícolas.
Estamos atentos a essa nova realidade tentando validar sempre as prescrições que nos são apresentadas pelos agricultores nossos clientes.
O que pensa das importações ilegais de produtos fitofarmacêuticos? Qual a solução para resolver este problema?

Na região onde desenvolvemos o nosso trabalho não é muito visível a entrada de produtos ilegais. No entanto pensamos que a solução para resolver este problema poderá passar pelas companhias que operam no mercado nacional e que são detentoras dos produtos e as entidades oficiais através de uma maior e mais eficaz fiscalização.
O sector agrícola na região da Beira Interior

Qual pensa serem os sectores mais competitivos e mais viáveis na agricultura da região da Beira Interior?


Quanto aos sectores mais competitivos na nossa região pensamos que a vinha, o olival e a fruta são as actividades agrícolas mais relevantes. A floresta continua a ser uma actividade da máxima importância para o desenvolvimento regional muito embora a sua gestão precise de uma profunda reconversão e mais ainda quando todos os anos são abandonados terrenos com fraca aptidão agrícola. O futuro regional da floresta passará pela alteração das estruturas fundiárias e pelo desenvolvimento do associativismo florestal.
Tem-se assistido nos últimos 10 anos em Portugal a um aumento na dimensão média das explorações e à diminuição no número de agricultores, com a emergência de um novo modelo de agricultor “o grande empresário agrícola”. Como vê esta tendência na sua região e quais as consequências para o sector da distribuição de produtos fitofarmacêuticos?

Estamos convencidos que a estruturação das explorações agrícolas e, em particular, a vinha e o olival vão continuar na região do Dão e cada vez mais a viabilidade da empresa agrícola passará por um maior profissionalismo no sector. Os empresários agrícolas serão cada vez mais conhecedores da sua actividade o que os torna mais exigentes e obrigara a distribuição a ter uma maior preocupação no acompanhamento técnico da exploração.
A Bayer CropScience e a distribuição

Qual o balanço que faz dos cerca de dois anos e meio de actividade com a Bayer CS? E quais as expectativas para o futuro?



Obviamente que o balanço é muito positivo apesar das dificuldades que resultaram na fusão de duas grandes multinacionais com as quais tivemos sempre uma relação de forte cumplicidade. Quanto ao futuro ele passará pelo aprofundar da parceria que pretendemos manter com a Bayer CropScience cuja relação comercial é da máxima importância para o prestígio da Visagricola na região onde desenvolve a sua actividade.
A Bayer CS é reconhecida pela qualidade e inovação das suas soluções. Ao nível regional, quais os produtos que destacaria da gama da empresa?

Como em qualquer lugar do mundo, em Viseu, o que é Bayer é Bom. E dentro das especialidades da companhia destacamos os seguintes: Herbicidas: Basta e Zarpa;Fungicidas: Linha Milraz, Mikal, Rhodax, Teldor e Melody Insecticidas: Decis, Confidor e Calypso.
Sente, que a Visagrícola e a Bayer CS podem ser para a agricultura da região, verdadeiros “Parceiros no desenvolvimento”?

Podem e serão certamente bons parceiros no desenvolvimento por razoes que se prendem no passado e se vão projectar no futuro que pretendemos que seja de sucesso. A Visagrícola no seu conjunto está disponível, motivada e muito empenhada no sentido da construção conjunta na parceria mais bem conseguida na região de Dão-Lafões.